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Kuehn, Frank Michael Carlos

Antonio Carlos Jobim, a Sinfonia do Rio de Janeiro e a Bossa Nova: caminho para a construção de uma nova linguagem musical
[Antonio Carlos Jobim, the Symphony of Rio de Janeiro and the Bossa Nova: the path to the construction of a new musical language]

Mestrado em Música (MA) Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2004
(fmc@domain.com.br)

English

O presente trabalho examina a Sinfonia do Rio de Janeiro como uma peça que se situa historicamente entre o início da trajetória profissional do compositor Antonio Carlos Jobim (1927-1994) e o surgimento do movimento musical conhecido como Bossa Nova. O estudo estrutura-se em três etapas ou eixos narrativos, cada qual com um enfoque diferente e até certo ponto independente dos outros. A primeira etapa consiste num levantamento biográfico das três primeiras décadas da vida e da trajetória profissional de Antonio Carlos Jobim, com ênfase nos momentos mais significativos da sua formação musical. A segunda enfoca a Bossa Nova (1958-1962) como um fenômeno histórico-social e estético, no qual o compositor teve participação fundamental. São analisados os vários fatores e idéias que caracterizaram a Bossa Nova, além de algumas das questões polêmicas surgidas em torno dela. Na terceira e última etapa estuda a Sinfonia do Rio de Janeiro (1954), composta em parceria com Billy Blanco, tendo o maestro Radamés Gnattali como autor do arranjo orquestral. A análise musical da peça está fundamentada numa metodologia eclética que se vale tanto de meios auditivos quanto de instrumentos técnicos na identificação e interpretação de elementos que apontam para parâmetros hoje associados à Bossa Nova. Criada num processo coletivo, a Sinfonia do Rio de Janeiro constitui uma obra rica em significados e uma experiência prazerosa do jovem compositor Antonio Carlos Jobim em busca da sua linguagem musical e estilo de compor. Em suma, a Sinfonia revelou-se uma obra surpreendentemente moderna para o seu tempo, antecipando, em suas estruturas harmônicas e melódicas, assim como em sua temática e recursos poéticos, a Bossa Nova.


Portugues

The present work examines the Symphony of Rio de Janeiro as a musical composition historically situated between the early career of Antonio Carlos Jobim (1927-1994) and the emergence of the Bossa Nova movement. This study is structured in three phases or narrative axes. Each is approached from a different angle and each is, to an extent, independent from the other. The first one consists of a biographical survey encompassing the first three decades of the life and musical career of Antonio Carlos Jobim, with emphasis on key moments of his formation. The second phase examines the Bossa Nova (1958-1962) as a socio-historic and aesthetic phenomenon, in which the composer played a major role. It discusses the factors and ideas that shaped Bossa Nova, as well as on some of the controversies and criticisms surrounding it. The third and last phase consists of an analysis of the Symphony of Rio de Janeiro (1954), jointly composed with Billy Blanco and orchestrated by Maestro Radamés Gnattali. The musical analysis is based on an eclectic methodology, employing both aural strategies and technical tools in the identification and interpretation of the parameters associated with the Bossa Nova. As the product of a collective compositional effort, the Symphony of Rio de Janeiro embodies a wealth of meanings. It was a pleasant experience in young Jobim's search for an individual musical language and compositional style. The Symphony revealed to be surprisingly modern for its time, anticipating the Bossa Nova in its harmonic and melodic structures, as well as in its poetic themes and devices.